O Papel do Designer de Livros


Os livros estão presentes no dia-a-dia desde nossa infância. Seja um livro de contos, didático, autoajuda ou ficção, o necessário para o sucesso dele  não está somente no texto, apesar de elemento principal, mas em um item, muitas vezes invisível, o trabalho do designer de livro.
O trabalho de quem faz o projeto de um livro não é somente colocar o texto nas páginas, depende de uma série de fatores, como: conceito (Quais os conceitos de criação do projeto gráfico? É possível justificá-los com a intenção do autor do texto?), o público-alvo (Qual a idade do público? Quais são seus hábitos? Onde eles poderão fazer a leitura desse livro?), o intuito do texto (Ser legível o tempo todo ou comportar algumas ousadias tipográficas?), o perfil da editora (Como são os livros da editora? Quais os títulos mais vendidos?), o ponto de venda (Onde esse livro será vendido? Quem é a concorrência? Já existe um livro sobre o mesmo assunto? No que é possível inovar?), os materiais (Qual papel utilizar? O objetivo é melhorar a leitura de um texto longo? Melhorar a impressão de imagens com muitas cores? Deve ser econômico ou é uma publicação luxuosa?). Todos esses fatores demandam tempo do designer e devem ser pensadas com cuidado para evitar alguns desastres.
"O design de livro é diferente de todos os outros tipos de design gráfico. O trabalho real de um designer de livro não é fazer as coisas parecerem "legais", diferentes ou bonitinhas. É descobrir como colocar uma letra ao lado da outra de modo que as palavras do autor pareçam saltar da página. O design de livro não se deleita com sua própria engenhosidade; é posto a serviço das palavras. Um bom design só pode ser feito por pessoas acostumadas a ler - por aquelas que perdem tempo em ver o que acontece quando as palavras são compostas num tipo determinado”.
Trecho presente no livro "O Design do Livro", Richard Hendel.
Poderia citar aquele velho exemplo de livro com um projeto gráfico sem graça e um conteúdo maravilhoso; o trabalho editorial bem pensado poderia valorizar o livro com bom conteúdo, torná-lo agradável e interessante para o leitor, afinal o conteúdo merece um tratamento digno, tanto na capa (responsável pelo marketing do livro no ponto de venda) quanto no seu interior, seja na folha de rosto, nas entradas de capítulos, enfim, tudo deve ser pensado e ter um propósito, pois design é projeto e deve ter uma função. Itens básicos podem ser pensados para fazer a diferença, o leitor não tem noção de qual tipografia e entrelinha tornam a leitura mais agradável e nem que o papel offwhite reflete menos luz, por isso é a função do designer ministrar esses recursos para melhorar a vida do público-alvo.

“Somente porque algo é legível, isso não quer dizer que comunica; pode ser que esteja comunicando a coisa errada. Alguns títulos tradicionais de livro, enciclopédias, ou muitos livros que os jovens jamais apanhariam numa prateleira, poder-se-ia torná-los mais atraentes. Enviar a mensagem suficientemente forte é, no mais das vezes, um problema das publicações. Você pode ser legível, mas que emoção está contida na mensagem?”


David Carson, citação presente no livro "O Design do Livro", Richard Hendel.

 Referências bibliográficas:

HENDEL, Richard. O Design do Livro. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003
SATUÉ, Enric. Aldo Manuzio: editor, tipógrafo, livreiro. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004

0 comments: